Vingadores: Ultimato e a viagem no tempo

Se você ainda não assistiu Vingadores: Ultimato, então para de ler aqui e volte depois, porque esse post CONTÉM SPOILERS! Se você já assistiu ou não se importa em saber do filme antes de vê-lo, pode continuar a leitura. Confira também o outro post sobre os easter eggs de Vingadores: Guerra Infinita.

Em Vingadores: Ultimato, fomos apresentados a uma nova interpretação da viagem no tempo e é uma perspectiva que é completamente diferente daquilo que estamos acostumados a ver em outros filmes que falam sobre as “regras da viagem no tempo”.

Viagem no tempo não é exatamente uma coisa real, então quando utilizam isso em um filme, cabe à equipe de criação nos bastidores criar as regras que funcionem na história que estão tentando contar. O único problema com essas regras em Vingadores: Ultimato é que nem os roteiristas, Christopher Markus e Stephen McFeely, ou os diretores, Anthony e Joe Russo, conseguem concordar em como as regras da viagem no tempo funcionam no filme, em particular relacionadas aos momentos finais do Steve Rogers.

Nos últimos momentos de Ultimato, o Capitão é o eleito para voltar no tempo de novo e devolver as Joias do Infinito e o Mjolnir para os seus respectivos lugares no tempo, mas ao invés de voltar para a máquina do tempo, quando vemos Steve novamente ele está como um idoso sentando em um banco, olhando para o lago próximo da máquina.

O roteirista Markus rejeita a ideia que o Capitão viva em uma realidade alternativa, citando as afirmações da Anciã de que removendo apenas uma Pedra Infinita criaria uma realidade diferente. Joe Russo, entretanto, afirma que quando Steve volta para 1945 para viver com a Peggy Carter, ele está vivendo em uma realidade alternativa.

A diferente interpretação de viagem no tempo em Ultimato criou uma confusão entre os fãs que estão se perguntando como exatamente Steve acabou de volta naquele banco. Como com qualquer coisa que envolva viagem no tempo, há limites para algumas coisas, mas não significa que as regras precisam ser confusas. E, dentro do contexto de Vingadores, elas não são. De fato, ambos Markus e Russo estão tecnicamente corretos em suas interpretações a respeito do final. Contudo, o esclarecimento das regras poderia ser mais simples.

O jeito mais fácil de interpretar as regras da viagem no tempo em Vingadores: Ultimato é considerar o tempo como uma linha contínua que está sempre se movendo na mesma direção, para frente. Se você considerar o tempo como continuamente fluindo em uma direção, e em apenas uma, começa a ficar mais fácil de entender como Markus e Russo estão corretos em suas afirmações baseadas em momentos-chave da explicação.

Quando o Capitão, Tony Stark, Hulk e Homem-Formiga voltam para a Batalha de Nova York em 2012, Hulk é encarregado de visitar o Sanctum Sanctorum para obter a Pedra do Tempo. É lá que a Anciã revela que as Pedras do Infinito são as que criam o fluxo do tempo. Se alguém remover uma Pedra do Infinito do seu lugar no tempo, pode criar uma realidade diferente na qual todos os tipos de coisas sombrias poderiam acontecer. Isso é à base do por que Steve Rogers ter que devolver as pedras ao seu lugar exato no tempo, uma vez que concluído o assalto.

Contudo, antes deles começarem o assalto no tempo, Hulk explica a viagem no tempo para Scott Lang, James Rhodes e Clint Barton. Em sua explicação, Hulk desconsidera completamente as regras de viagem no tempo estabelecidas anteriormente em filmes como De Volta para o Futuro, O Exterminador do Futuro e A Ressaca, afirmando que o passado não pode ser alterado retornando a ele.

A razão? Voltar ao passado se torna o novo futuro de uma pessoa, e seu antigo presente se torna o seu passado, que não pode ser afetado pelo seu futuro. É aqui que visualizar o fluxo do tempo como uma linha contínua se torna a maneira mais fácil de interpretar as regras.

Por uma questão de simplicidade, vamos dar uma olhada na Batalha de Nova York como um exemplo. Quando Steve, Tony, Hulk e Scott voltaram para 2012 de 2023, é como tirar uma cópia do exato instante em que eles retornam em 2012 e colocá-los na linha contínua do tempo logo depois de saírem de 2023. Dependendo das escolhas que eles fazem, as coisas podem acontecer exatamente como no rescaldo original da Batalha de Nova York de 2012, o que eles fizeram até que o plano para obter as pedras fosse determinado.

Ao retornar para 2012 nada mudou em relação ao que o público passou a conhecer no Universo Cinematográfico da Marvel. O uso da viagem no tempo em Vingadores: Ultimato não é de forma alguma, nem forma um resumo do que já aconteceu no UCM. Isso deve ser muito claro.

Os quatro estão dentro de uma realidade alternativa na qual eles podem alterar como eles, e aqueles dentro dessa realidade, experimentaram aqueles anos dentro da linha do tempo principal, mas não é uma realidade divergente ou uma realidade ramificada. É uma realidade que existe em paralelo com a principal que já aconteceu. Dito isto, o fluxo de tempo experimentado pelas pessoas que atravessam a realidade paralela continua a fluir para frente, o que explica por que Steve era um homem idoso quando apareceu no banco.

A partir desse ponto de vista, Markus está correto no sentido de que Steve retornando a 1945 para viver com Peggy não cria uma realidade ramificada, mas está errado em sugerir que não cria uma realidade alternativa existindo em paralelo. Se Steve não está vivendo em uma realidade alternativa quando retorna a 1945, então aquele momento dentro do filme atua em oposição às regras estabelecidas de viagem no tempo no filme. Isso significaria que ou o Capitão era o marido não identificado escondido no fundo todos esses anos ou todo o UCM estaria pronto para um retcon* como resultado de Steve voltar. Portanto, a única explicação possível é que ele viveu com Peggy em uma realidade alternativa.

(*Retcon é
continuidade retroativa, que é quando ocorre a alteração de fatos que já foram
estabelecidos na continuidade de uma ficção.)

Então, como ele acabou no banco na realidade principal? É uma questão interessante e que pode receber uma resposta definitiva no futuro. Quanto as possíveis explicações, parece haver duas, embora uma seja muito mais provável que a outra.

A primeira e menos provável explicação é que quando Steve voltou pra 1945, ele deixou tudo acontecer como deveria de 1945 a 2023 e simplesmente apareceu naquele banco no dia do funeral de Tony para entregar o escudo a Sam Wilson. Este não é provável porque, como ele está vivendo uma realidade alternativa, até mesmo a menor das ações poderia jogar fora a linha do tempo e esse momento não seria com as mesmas pessoas exatas que ele acabou de deixar.

Para todos os propósitos, eles seriam, mas eles estariam existindo dentro de sua nova realidade e compartilhando as mesmas experiências. Além disso, seria necessário que Steve atuasse como marido não identificado de Peggy por quase 80 anos, até que a jovem versão de si mesmo que também existe naquela realidade voltasse para devolver as pedras novamente.

A outra, e muito mais provável, explicação é que, ao voltar a ficar com Peggy, Steve viveu exatamente como queria e conseguiu retornar à realidade principal em 2023 para aquele momento com Sam. Como Steve conseguiu fazer isso? A resposta mais provável seria através do Doutor Estranho. Esta explicação não é sem erro, no entanto, como ainda haveria um período de tempo em que havia dois Steve Rogers nessa realidade, mas parece que é a mais provável explicação das duas, dada a natureza do Capitão América.

Não parece que os irmãos Russo ou Markus e McFeely estão muito preocupados com a logística de como Steve retornou. Francamente, não é tão importante para o momento em si. Muito mais importante foi a passagem do escudo, neste caso, para Sam, e o conhecimento de que depois de anos e anos de auto sacrifício para o bem dos outros, Steve finalmente conseguiu o que desejava.

Confira alguns easter eggs de Guerra Infinita.

Texto original em inglês aqui.

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